cantiga de longe

Monday, June 02, 2008

já é hora do corpo vencer

Já não vinha dormindo muito bem nos últimos dias antes de ir com a banda para Natal, mas isso é normal, sempre acontece. Então acordei e dirigi quatro horas na estrada. Não senti sono em nenhum momento, a única dificuldade foi o carro pesado, com cinco pessoas, um jogo de pratos, um pedal de bateria, duas guitarras, um baixo, um sintetizador, cinco mochilas e duas maletas com pedais de guitarra. A estrada nunca é boa, principalmente nos trechos recentemente reformados, onde ainda não pintaram as faixas. Mas tudo bem. Depois de um descanso de vinte minutos no Hotel, fomos tocar, sem ter jantado e nem almoçado. O show foi bom, o sanduiche depois também. Então começaram a vir as cervejas e acabamos chegando no hotel às cinco da manhã, depois de curtir um show de Otto. Acordei às onze, a cama era ótima, mas o tempo de descanso foi muito curto. Sem ter tido tempo para o café da manhã, fomos direto ao almoço. Às quatro horas da tarde eu já pegava a estrada novamente, mas dessa vez foi mais difícil. A pista molhada, a chuva, a noite, a estrada e alguns motoristas atrapalharam bastante, deixando tudo um pouco mais tenso. Mas tudo bem, a brodagem conversou o tempo todo e me ajudou na hora das lombadas e ultrapassagens. Ainda não sentia sono. Estava exausto quando cheguei em casa, foi nessa hora que o corpo começou a vencer. Demorei para pegar no sono, passei quase uma hora com uma sensação louca e angustiante, num estado entre o sono e a consciência. Toda vez que chegava perto de adormecer, sonhava que não podia dormir, porque estava dirigindo e não deveria pegar no sono para não bater. Eu escutava a voz da brodagem e via a estrada na minha frente, como se estivesse dirigindo, então acabava acordando todo preocupado. Tive a sensação disso ter durado muito tempo, mas em algum momento o corpo me desligou. A segunda-feira começou e o que existe é uma sensação de não estar em lugar algum. Entre a viagem com a brodagem e a rotina do trabalho existe uma distância enorme. Mesmo sabendo que um depende do outro, fica um vazio, daqueles que a gente sente depois de ter vivido uma coisa realmente grande.